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AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

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A História

Estudar para aprimorar a prática de “Contação de  Estórias” na Evangelização é imprescindível. Conhecer os elementos da história, saber explorá-la, contextualizá-la de acordo com a realidade e vivência, para atingir com sabedoria os corações. Assim falava Jesus, por parábolas.

A História

A história grava-se, indelevelmente, em nossas mentes e seus ensinamentos passam ao patrimônio moral de nossa vida. Ao depararmos com situações idênticas, somos levados a agir de acordo com a experiência que, inconscientemente, já vivemos na história. Por isso, em nossos dias, pais e educadores bem orientados empregam a história como meio eficaz de corrigir faltas, ensinar bons costumes, inspirar atitudes nobres e justas, enfim. Recorrem ao conto o mais fácil, o mais racional e o mais eficaz processo de formar caracteres. E a experiência tem provado, de sobejo, o acerto do caminho seguido.

Jesus, quando pregava a doutrina evangélica aos pobres e ignorantes, cujo desenvolvimento era semelhante ao das crianças, nunca empregou noções abstratas nem tratados difíceis. Apresentava as sublimes verdades religiosas sob forma concreta. Falava por meio de parábolas admiráveis que gravavam as verdades na memória e no coração. Tirava-as das coisas mais comuns, de todos os dias. Aos aldeães falava da vida do campo, de árvores boas e de árvores más, de flores. Aos pescadores, dos lagos, das redes. A todos, daquilo que compreendiam e amavam, levando-os, das coisas exteriores e conhecidas, para as coisas espirituais e desconhecidas.

Finalidades

Contamos história para: recrear, educar, instruir, atender ao psiquismo infantil, etc.

Recrear - A história diverte, principalmente se for bem narrada e interpretada; se for interessante (precisa ter um bom início, um ponto culminante, um desfecho imprevisível, agradável, que proporcione à criança um alívio da tensão emocional).
Dramatização espontânea da história, usando frases criadas pela própria criança, no momento, também recreia.
Realização de histórias no teatrinho de fantoches, sombra, etc, como forma de diversão para o espírito.

Educar – Utilização intencional de histórias que tenham fundo moral acentuado, que encerrem ensinamentos sobre higiene corporal, alimentação, etc.
Histórias que despertam, na criança, o desejo de praticar o bem.
Saber ouvir histórias, palestras, etc. (atitude social, educação social).
Cuidado e conservação dos livros de histórias.
A história é elemento de primeira grandeza na educação da criança, dos 4 aos 7 anos, e, além de sugerir atitudes, traça caminhos de boa conduta.

Instruir – A história é elemento essencial no desenvolvimento da linguagem infantil na fase pré-escolar.
A história aproveita a experiência infantil para instruir, quando apresenta cenas da vida real, escolar, doméstica, etc.
Ajuda a exercitar a mímica.
Facilita a aquisição de novos conhecimentos (sobre animais, sobre plantas, sobre a natureza, ciências, artes).
A história desenvolve o gosto artístico.

Atender ao psiquismo infantil - Nesta fase a criança é, por demais, imaginativa. Ela vive um mundo de “faz de conta”. Transforma o estático em dinâmico (um brinquedo para ela adquire vida, fala, pensa etc.). Ela humaniza os animais e melhor, se identifica com eles.
A história canaliza a imaginação infantil; ajuda a resolver seus conflitos emocionais.

Elementos Essenciais da História Infantil

Os elementos essenciais que se destacam numa história infantil são quatro, a saber:
Introdução – Enredo – Clímax – Desfecho

Introdução

A introdução é formada pela parte inicial da história. Compreende, às vezes, um trecho de vários períodos, mas em muitos casos fica reduzida a um único período.
Geralmente curta, visa interessar a criança pelo desenrolar dos fatos, servindo para apresentar as personagens e localizar a história no tempo e no espaço.

Enredo

É a sucessão de fatos, não deve ser muito curto ou muito longo; as ocorrências devem ter uma sequência regular, num crescendo até chegar ao clímax.

Clímax

Ou ponto culminante é a parte onde a estória chega ao máximo de sua intensidade. O elemento surpresa é, aí, muito do agrado da criança.

Desfecho

Ou conclusão, deve ser curto e satisfatório, “arredondando” o pensamento. Não aponta o moral da história, nem a aplicação da lição que a mesma encerra.
A história BOA e BEM CONTADA dispensa acrescentar o seu moral no fim, porque:
- o objetivo da Escola Espírita de Evangelização é educar, fazendo com que a criança pense, propiciando a ela meios de se auto-reformar para melhor;
- a criança é capaz de tirar inferências de acordo com a sua capacidade e vivência (respeito à individualidade e criatividade infantil).

São características de uma Boa História

- Ter unidade
- Ter ação
- Ter moral implícita
- Ter linguagem simples, correta, adequada
- Ter assunto interessante
- Ter movimento e surpresa
- Não ser demasiada curta, nem excessivamente longa.

Como o presente estudo trata de estórias a serem contadas, os atributos e a preparação do narrador de estórias revestem-se de maior importâncias.

*As Histórias não devem conter erros doutrinários.

Preparação do Narrador

- Escolher a história de acordo com o objetivo visado;
- Analisar a história;
- Adequá-la ao auditório;
- Saber bem a história;
- Verificar a necessidade de material ilustrativo e prepará-lo;
- Experimentar contar antes a história;
- Verificar se o auditório é homogêneo;
- Explicar antes, quando necessário, o significado das palavras chaves à compreensão;
- Verificar se os ouvintes estão acomodados;
- Verificar se o auditório está interessado em ouvir a história.

Características do Narrador

Conhecer o enredo com toda a segurança;
Ter confiança em si mesmo;
Narrar com naturalidade, sem afetação;
Ser comedido nos gestos;
Evitar tiques, cacoetes, estribilhos;
Dispensar atenção a todos;
Falar com voz agradável;
Sentir a história;
Usar adequadamente e com ordem o material ilustrativo.

Terezinha Bedeschi – Colaboradora na área de Evangelização do Movimento Espírita de Belo Horizonte.
Texto extraído do Jornal Aliança Espírita (O Espírita Mineiro), setor Departamento de Evangelização da Criança, de maio/98.