23102014Qui
AtualizaçãoQua, 18 Jun 2014

“O bem pede doação total para que se realize no mundo o bem de todos.” (Emmanuel)

Apostilas de Capacitação

Sugestão de Atividades e Material de Apoio

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES E MATERIAL DE APOIO PARA DESENVOLVIMENTO DE TEMAS

 

Segundo a proposta da Filosofia Espírita para Crianças

 

 

 

 

 

 

Organização: Rita Foelker

Parte II

 

 

Conteúdo:

 

Equilibrando o tripé

(por Cristina Helena Sarraf)

Temas:

5. REENCARNAÇÃO

5 a . LEI DE REPRODUÇÃO

6. EVOLUÇÃO

6 a . LEI DE PROGRESSO

6 b . LEI DE CONSERVAÇÃO

7. LIVRE-ARBÍTRIO

7 a . LEI DE LIBERDADE

8. CAUSA E EFEITO

8 a . LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

 

 

Agir por reflexo é impulso, agir por reflexão é educação, é conquista.

(Jaime Togores, do Grupo FEPC)

 

Equilibrando o tripé

Equilibrar a vida pelo uso do tríplice aspecto do Espiritismo

 

Cristina Helena Sarraf / Grupo CEM / 2003

 

Desde remotos tempos, busca o ser humano respostas ao porque de sua existência, de onde teria vindo, para onde irá, porque e como existe o planeta e o Universo. Esses questionamentos iniciaram o que chamamos de pensamento filosófico, porque filosofia é amor ao saber.

Depois, nasce no ser humano a necessidade de comprovar, provar, experimentar, e assim ele descobre o pensamento científico.

Mas as escolhas e ações do ser humano geram conseqüências e ele passa a observar que o seu comportamento beneficia ou prejudica, é bom ou ruim. E aí então, surge o pensamento moral.

Filosofia, Ciência e Moral são os três tipos de raciocínios que se pode fazer neste planeta, nesta fase que vivenciamos, já que para o futuro, certamente outras formas surgirão.

A religião, tendo dominado a Antigüidade e a Idade Média, deu ênfase ao pensamento filosófico (aos iniciados) e ao pensamento moral (para o povo em geral). Mas os formatou e condicionou a sua maneira de pensar, criando para a humanidade uma grande dificuldade de estabelecer o pensamento científico, já que impediu o descobrir, o pesquisar e o analisar, impondo a crença pelo medo. Também quanto aos raciocínios filosófico e moral, ela os limitou e estancou, criando idéias de que certa é apenas a filosofia de vida que estabeleceu e certa é apenas a moral formatada segundo seus interesses e necessidades circunstanciais. Assim, ficou o ser humano limitado ao pensar como a sua religião queria e comportar-se como ela exigia.

Verificada a impossibilidade de ser como lhe impuseram, e sendo punido exatamente por isto, estabeleceu-se em cada pessoa um processo incontrolável de desenvolvimento da culpa e do medo. Seu único caminho, portanto, foi a hipocrisia para ostentar e a insegurança para viver.

Poucos tiveram coragem e condições de romper com esta situação e questionaram, experimentaram e transformaram as idéias,  as formas pré-fabricadas de pensar e os dogmas. Apesar de punidos e mortos, foram empurrando a humanidade para o desenvolvimento do pensamento científico.

Mas a Ciência é o que os Homens são. E como antes se adoravam as religiões, passou-se a adorar a Ciência, sem entender que ela é apenas fruto da forma de pensar de cada cientista. Não há Ciência sem haver antes a filosofia de vida que a determina.

Excluindo o exame do funcionamento íntimo/espiritual do ser humano, de suas emoções e sensações, a Ciência caminhou fundo, criando a aparência de que apenas alguns humanos poderiam ser cientistas, como antes se pensava que só alguns poderiam entender os deuses ou filosofar.

Da forma que foi se firmando, a Ciência manteve o pensamento elitista e autocrático das religiões e dos soberanos, deixando o povo do outro lado da “cerca”, ou seja, do lado oposto ao do conhecimento, da pesquisa e das descobertas.

Mas o “plano” divino jamais falha e, na hora oportuna, vem o Espiritismo, trazendo na linguagem dos Espíritos da Codificação os três tipos de raciocínio, de forma integrada: o filosófico, o científico e o moral. E inicia para o nosso mundo uma era nova do pensamento, pois passamos a saber que todos nós temos capacidade para reconhecer, analisar e direcionar nossa vida, através de questionar, experimentar e transformar, conscientemente, sem necessidade de diplomas ou distinções sociais para se fazer isso.

Questionar, usando o pensamento filosófico sobre todos os detalhes da vida, levantando sem temor ou preconceitos os porquês, o como, e cada detalhe de tudo.

Experimentar, usando o pensamento científico em tudo o que se possa pensar, para que essas experiências permitam verificar quais são os melhores pensamentos, as opções mais eficientes, os pensamentos que resolvem para se viver melhor, promovendo o crescimento pessoal e social.

Transformar, usando do discernimento para agir conforme cada um pensa e sente e conforme foi constatado que é o melhor. Criando a verdadeira moral, que é o comportamento consigo, com os demais e com a vida, não por causa de regrinhas predeterminadas, e sim como fruto do raciocínio lógico e do experimentar, ajustando-se perfeitamente ao que foi ensinado por Jesus (amar ao próximo como a si mesmo e não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem com você).

Situações de relacionamentos, pessoais, familiares, sociais, profissionais e da Casa Espírita  podem e devem ser examinadas à luz deste Tripé.

Observe se você não está esquecendo um ou dois pés do tripé. Por exemplo: quando uma pessoa diz que evangeliza crianças, demonstra que não está fazendo nada mais do que querer implantar a moral formal dos códigos religiosos, porque para ensinar a moral espírita é preciso despertar o pensamento filosófico sobre os ensinamentos espíritas e levá-los para a prática. Aí então será possível discernir e melhorar a moral, conscientemente, o que passa a ser um patrimônio da pessoa e não uma obediência temerosa a uma regra imposta e muitas vezes não compreendida.

Equilibrar o Tripé é exatamente isso: despertar para a necessidade de filosofar, experienciar e conquistar as mudanças morais, como conseqüência natural dessa ação consciente, dinâmica e sequencial.

Na verdade, em tudo na vida o tripé está acontecendo sem que percebamos, pois tudo funciona na base de se ter um motivo, vivê-lo ou não e mudar o comportamento como fruto da experiência feita. A mudança será para melhor, para pior ou fortalecerá a rotina, pois depende de como podemos encarar a situação, no momento em que ocorre. Depois já será outra coisa, novos raciocínios serão feitos, porque o pensamento estará sustentado no primeiro tripé. E assim por diante.

Se dentro de nós o tripé funciona naturalmente, ter uma postura aberta, participativa e respeitosa com as pessoas, leva a trocarmos idéias (filosofia), dividirmos experiências (ciência) e adotarmos comportamentos (moral), pela observação e pelo que aprendemos absorvido delas. Se formos fechados, exclusivistas, o tripé circula dentro de nós mas não recebe a contribuição dos outros, estabelecendo rotina e dor.

Para quem quer descobrir como tudo isso funciona, sugerimos na prática diária a aplicação do tripé de forma contínua e consciente, facilitando muito o viver.

Por exemplo: estou insegura quanto a tal decisão. Como me ajudar através do tripé?

1o. questionar/ filosofar - O que estou sentindo? Insegurança. Por que? Porque não sei como decidir. Onde está a dificuldade? É que sendo um Espírito em evolução há momentos em que não sei o que é melhor para mim. E o que seria melhor, independentemente desse assunto? O melhor seria sempre......   Estou baseando estes raciocínios na cabeça (idéias preconcebidas, orgulho e quero-quero-quero), ou na verdade da alma, naquilo que sou eu de verdade? ..... E assim por diante, sem julgar, condenar, criticar ou constranger-se. Mas, usando a filosofia espírita, ir encontrando um caminho viável de entendimento ou de hipótese.

Lembrar a filosofia espírita básica: somos Espíritos imortais, reencarnantes, em evolução contínua, usando o livre arbítrio conforme se possa, gerando conseqüências naturais  pela lei de causa e efeito, atuando sobre o fluídos (mudando a qualidade do perispírito) e percebendo a atuação dos desencarnados através da mediunidade.

2o. experimentar/ ser cientista experimental espírita - Após encontrar um caminho plausível (livre-arbítrio), opto por ele e experimento segui-lo, sempre observando o que sinto, como as coisas se fazem e o que posso aprender com isso (causa e efeito). Se a experiência for positiva ou negativa, não cairei na tentação da culpa, porque essa postura não é espírita e porque fiz o melhor que podia, naquele momento.

O método experimental espírita é: agir – observar - analisar – agir – observar – analisar etc. e depois concluir, quando houver elementos suficientes. Refazer a ação ou reformular ou o que for necessário, porque já se tem base para discernir.

3o. transformar/ melhoria moral - Durante o processo de experiências, foi possível ir percebendo, sentindo, entendendo mais a meu respeito, à luz do Espiritismo.  Fortaleci pontos frágeis, reformulei algumas idéias e atitudes. Observei comportamentos que já são incoerentes,“mofados”, “pensamentos do ano mil”, reações condicionadas, hábitos mentais desnecessários ou prejudiciais,muitos pensamentos que não resolvem nada, pelo contrário, só me complicam e me atrapalham.

Com auto-respeito, compreensão e persistência, haverá a gradativa alteração comportamental necessária e possível. Isto representa que melhorei moralmente, pois só há transformação após experimentar e para isso é necessário ter uma razão de vida (filosófica).

Quando não há prática/experimentação do que é aceito como verdades espíritas, permanecemos como somos. Isso nos deixa insatisfeitos e ficamos nos pressionando para sermos melhores e frustrando-nos como sempre, numa atitude negativa e eminentemente contrária aos ensinos da nossa Doutrina.

O verdadeiro espírita se reconhece por sua transformação moral. É aquele que todo dia examina e usa o que aprende no Espiritismo e não quem já está perfeito na conduta, disse-nos Kardec.